Entre e fique à vontade...


"A poesia não se entrega a quem a define"


Mário Quintana



quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

DOR POR DENTRO

Aumento dos batimentos
Arrebatamento
Tudo em volta sugere
Solidão
E o desejo permanece
Sedento
Suspiros de afobação
Desassossego
Desapego de paixão
Por fora, ilusão
Encantamento
Dor por dentro

DANIELA BARBOSA

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

É TUDO ASSIM

É tudo suspeito
Suspenso como nuvem
No limiar de um susto
Distante da atmosfera
Flashes de respiração
É tudo rarefeito
Ar puro e pensamentos
E meu autocontrole
Sem o leme do vento
Em constante imersão
É tudo imperfeito
Sinopse de vida afora
Filme visto de cima
Sem roteiro de estreia
Guiada pela indecisão
É tudo malfeito
Sonhos definhando
Pernas desobedecendo
Sentidos asfixiando
Efeito anti-gravitação
É tudo sem jeito
Diálogo solto no tempo
Braços estendidos
Voo baixo no escuro
Na sua direção


DANIELA BARBOSA - 16/09 às 16:27

terça-feira, 18 de outubro de 2011

NUVEM


Aquela nuvem vem não sei de onde
Instala-se tão confortavelmente
Expulsando meus pensamentos...
Não compreendo aquela nuvem
Que flutua dançando em círculos
E, por vezes, ameaça cair
Deixando-me tão atordoada.
Tem um cinza que me entristece
E uma vontade de se derramar 
Que sou capaz de me confundir
E pensar que sou nuvem no ar
Em vez de gente desnorteada
Aquela nuvem nasce em mim
Cresce nas minhas incertezas
Alimenta-se de minhas lágrimas
Trilha seu destino em minhas veias
Ninguém a conhece, somente eu
É alma gêmea de minhas tristezas
Minha atormentada razão de ser

DANIELA BARBOSA - 18/10/11

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

ALGUMAS COISAS



Um olhar certeiro
Um gole ardente
Um som conhecido
Uma flor vermelha
Uma brisa mansa
Um cheiro doce
Um sorriso tímido
Uma pele rubra
Uma mão úmida
Um vinho seco
Uma música forte
Um olhar ingênuo
Uma cama desfeita
Um colo meu
Uma fantasia sua
Uma noite nossa
Um caso de amor

DANIELA BARBOSA

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

QUASE



No apartamento vazio,

o cheiro da brisa morna
ainda bate à porta.
Sutil convite ao delírio,
lembranças intensas
de um belo encantamento.
De tão presente aqui,
eu quase que te respiro,
de tão dentro de mim.
Você inteiro e cada pedaço
é quase o que me alimenta,
o que posso absorver.
Um pulsar ofegante
consome todo meu corpo, 
febril com a falta do seu.
Mas, você quase me tem,
mesmo que tão distante
e quase que completamente.
E quase me assusta
esse olhar que me procura
querendo se perder.


DANIELA BARBOSA

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

MILITÂNCIA



Vou continuar na minha militância...
Cronometrando meu tempo,
Rabiscando meu caderno,
Profetizando um novo encontro,
Direcionando meus sonhos,
Digerindo essa estranha ausência,
Camuflando com um sorriso besta
A dor na alma e no estômago.

Vou continuar na minha militância...
Me alimentando das suas palavras,
Rastreando o tom da sua voz,
Escaneando lugares comuns,
Mergulhando em olhares perdidos,
Degustando intenções declaradas,
Saboreando toques dissimulados,
Na memória do meu desejo.

Vou continuar na minha militância...
Quem sabe num dia de sol,
Cabeça baixa, uma dose de sorte
E um empurrão descuidado do destino
Entre algumas desculpas e um olhar,
Catando minha bolsa e meu ar,
Meus olhos convençam suas mãos,
A arrumar os papeis e desarrumar a cama.


DANIELA BARBOSA




terça-feira, 24 de maio de 2011


O CORTE
Mais uma noite oportuna. Eu, o outono e a janela.
O ébano protege meu tétrico ritual das lentes vigilantes da lua cheia.
Da taça, ouço ruídos estridentes, estalando no mármore gélido que atravessa a sala.
Quase me rendo ao desejo de acompanhar a trajetória perfeita dos cacos de cristais reluzentes
contorcendo-se para tingir o chão alvo e escorregadio com as gotas que brotam da carne aberta.


A DOR
O cenário é confuso e meu cérebro, vazio.
O frio cada vez mais próximo, a solidão, cada vez mais atraente.
Atrevo-me a descrever o círculo de fogo que consome cada molécula de sangue evaporando-se no vazio de minhas veias ardentes e ressequidas.
Conseguiria reagir, não fosse o peso da culpa penetrando os sulcos profundos de minha alma atormentada com espasmos de dor sufocando-me a razão.


O TEMPO
O relógio é inimigo das mentes suicidas.
Um sorriso arrogante em forma de lua preenche a janela com uma luz incômoda.
Revela os segredos de um corpo minguando a cada carícia profunda que saboreio no que resta da champanhe avermelhada dilacerando minha garganta.
Retribuo com uma espécie de convulsão; o máximo que meus músculos faciais se arriscam a ensaiar num breve instante de serenidade.
Um minuto interminável traduz a eterna ânsia de arrancar de minhas vísceras as cinzas de uma subexistência mórbida, inútil e translúcida como minha imagem cravada no espelho.


O FIM
Restos desumanos.
Assombro diante da inexorável razão da desintegração humana.
O fim de tudo parecia-me dramático, mas minha condição de morta impediu-me de chorar.
Minha garganta ainda dói. Meus músculos ainda respiram. Minha sanidade parece recuperar-se... redenção.
É tudo meio cinza e vermelho nos meus lampejos de visão... ou de ilusão. Não existe túnel, luz, anjos ou demônios. Somente o fim na escuridão total ou ausência de tudo.
Algo tão insólito como a morte deveria ser melhor comemorado, mas reservo um banquete aos vermes, famintos e felizes pelo cumprimento da minha missão.
Nunca foi tão fácil...