Entre e fique à vontade...


"A poesia não se entrega a quem a define"


Mário Quintana



quarta-feira, 18 de agosto de 2010

TARDES DE CAFÉS E POESIA




O ônibus hoje não está parecendo uma lata de sardinha...
O capuccino veio quente e saboroso
A brisa leve que invadiu o Centro de Cabo Frio
Quase podia ser tocada... se não fosse tão arredia
Uma boa companhia, um quase fim de tarde
Querendo não terminar

A Praça nos observando ao longe
Incita a poesia, perseguindo o ritmo das ruas
Cada rosto parece imergir no turbilhão de cores e sons
Enquanto  os poetas contemplam o desacelerar do dia
Entre papéis, poemas e o pôr do sol
O tempo insiste em passar

Um balé de apressados ruídos repete-se ao final
É hora de ir... despedidas sempre me incomodam
Momentos agradáveis deveriam eternizar-se no tempo e no espaço
Guardo na bolsa os registros de um oásis
No inverno deserto e solitário dos meus passos
Rumo ao mundo real

DANIELA BARBOSA

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

CONDIÇÕES...


A toda saudade serei grata
se teus olhos disserem
aos meus lábios
que os querem
beijar.

A todo prazer serei plena
se tuas mãos romperem
caminhos devassos
em pernas prontas
a te enlaçar.

A todo abraço serei devota
se me cobrir os seios
de carinhos fartos
em dedos de rios
a me banhar.

DANIELA BARBOSA

HOMEM DA TERRA

Criado nas entranhas ressequidas, troféu erguido ao sol.
Mansa criatura estranha com olhos bêbados de mar,
Oásis de lágrimas quentes, suplicando nuvens tristonhas.
Fome infame de dilacerar os rastros de vida sofrida.
Distorcidos ais ecoando dos acordes de mãos estendidas
Ofertas de almas em buquê de espinhos e promessas.
Ínfimos favores roubados em mente, corpo e vaidade
Dilacerando pálidas esperanças amordaçadas
Enquanto bocas impuras cultuam silêncios dignos de ti...
Filho da terra órfã, herdeiro do abismo de uma desumanidade.

DANIELA BARBOSA – 10/08/10

domingo, 20 de setembro de 2009

OK, VOCÊ VENCEU...

Abro e fecho sem reservas, esperneio
Sento, levanto, não faço rodeios
Estremeço, insisto, mais que isto!
Não quero, desespero-me... conflito árduo!
Canso, ajoelho, pesado é o meu fardo
Debato-me, luto, espanto com vigor
Ameaço, grito, recuso com fúria
Enfrento, lamento, distribuo lamúrias
Então me entrego, mergulho com medo
Relaxo, desacelero, total abandono
Encontro frente a frente e enfim... cedo!
Impossível vencer este sono...

DANIELA BARBOSA